Foi com ela que a mulher original agarrou, de um só golpe, o fruto da perdição que ofereceu ao seu companheiro no berço da Criação, cometendo sem hesitar o pecado da prevaricação... Mas, foi com ela, também, que acolheu e depois ofereceu, com imensa ternura e grande amor, seu Filho para a crucificação.

Afirmam que o destino está traçado, desde o nascimento, em nossas próprias mãos.
E que elas são os grandes instrumentos de nossas realizações. Mas, de qualquer forma, são com elas que o ser humano aprisiona, fere ou liberta e cura seus irmãos!
A vara, além de ser o símbolo fálico e de ligação, é o sinal do cajado dos patriarcas... Aquele que move montanhas e arrasta multidões.
Ela, a vara, é também a representação do bastão de Moisés, que separou as águas do Mar Vermelho, permitindo a grande libertação.
Foi com ela, também, que o Libertador operou milagres, fez brotar água do solo e tingiu o Nilo com a cor da praga da punição.
E a imagem captada, pela lente fotográfica, esta ai para a nossa contemplação. Ela é formada pelo rosto da mulher, pela mão, pela vara e pela água em estado de mansidão!
Seria ela um prelúdio?... Ou, quem sabe, um presságio, uma profecia, ou um desejo de que uma "nova alma" pudesse ser resgatada do "Rio da Vida" e, pela graça da Providência, vir habitar entre nós para clamar por nossa salvação?
Afinal, todo nascimento, através da mulher, é uma esperança, uma luz de possibilidades de redenção.

Falar é realizar!
Razão pela qual se diz que o maior poder de um homem é sua prece, sua oração, já que esta é sua peculiar forma de se comunicar com o Criador e com as leis eternas da própria Criação.
Assim, que nossa palavra possa, nossa prece nesse momento, em homenagem a mãe, a mulher, seja o reflexo verdadeiro de nosso reconhecimento e do mais elevado sentimento de gratidão!
José Paulo Ferrari – maio de 2009