
LUIZ ANTONIO PEREIRA DE SOUZA, geólogo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo - IPT (São Paulo, SP)

Há anos observo as ocupações tanto em áreas de risco como em áreas de preservação permanente (mata atlântica) no litoral norte de São Paulo e sempre que tentei alertar a prefeitura de São Sebastião lá encontrei quem me dissesse que era questão de difícil solução por ser um " problema social". Sob esta míope perspectiva, assisti a sucessivas invasões realizadas sob a inércia dos agentes responsáveis em impedi-las, nas quais os invasores, bem industriados, entravam mata adentro para desmatar e construir, deixando uma cortina vegetal à beira das estradas a encobrir seus feitos. Para um bom observador, entre São Sebastião e Maresias existem centenas destes casos.
Agora, indignada, li que o sr. Luiz Teixeira, chefe da Fiscalização do Meio Ambiente em São Sebastião, na tentativa de justificar o malfeito, joga a culpa no número exíguo de agentes fiscalizadores (15) para cobrir uma área de 110 quilômetros de extensão. Bom, então eu digo a esse senhor que, se ele dividisse 110 quilômetros por 15 agentes, cada um deles ficaria responsável por pouco mais de 7 quilômetros a serem fiscalizados. Seria responsabilidade demasiada para esses funcionários públicos? A verdade é que se houvesse vontade política para realizar a retirada destes invasores certamente não haveria tantas famílias vivendo ilegalmente, sob risco de deslizamentos, nem tantas feridas abertas nessa área de preservação tão importante que é a mata atlântica!
São Paulo
É necessário, diante de mais esse ocorrido dramático, uma vez por todas e de forma imediata, cabal e efetiva, que o Poder público venha assumir a tarefa político-administrativa de estabelecer e impor a importante e fundamental ordenação da ocupação do solo e de prover instrumentos eficazes para zelar pelo cumprimento dos regulamentos e das leis ambientais existentes. Infelizmente, o que temos assistido é a rendição da governança, a colocar-se como réfem dos interesses imediatistas e muitas vezes espúrios da baixa política, do Agronegócio, das “ Monsantos “ transnacionais (feiticeiras dos agrotóxicos e dos transgênicos), da especulação imobiliária, etc.
O processo de ocupação desordenada e irregular das áreas de risco, geotécnicamente inadequadas, seja pela favelização, pelo lado das carências, seja pela “condominização“, pelo lado das ganâncias, e que está na origem maior dos desastres que vêm se agravando e se multiplicando nos últmos tempos, é uma constante e nefasta característica presente nas diferentes regiões brasileiras, consequência de desmandos políticos, omissões administrativas, desrespeito às leis do País e, principalmente, ausência de fiscalização ágil e efetiva.
Esse mesmo processo, neste momento, por exemplo, vem se reproduzindo, aceleradamente, em diversas e importantes áreas rurais e montanhosas do Sudeste, como é o caso da Mantiqueira, que tem visto suas áreas serranas serem transformadas em focos de “ turistificação “ intensiva e desregulada ( a “campos-de-jordanização “do hinterland brasileiro..) , como acontece com Santo Antonio do Pinhal ( SP ) , Monte Verde ( MG ), Visconde de Mauá ( RJ ), entre outras.
Alí, como na maioria dos municípios da Região, que são parte da Área de Proteção Ambiental da Mantiqueira ( similar àquela existente entre Petrópolis e Teresópolis...), a abertura indiscriminada de acessos e asfaltamentos agressivos ao Meio Ambiente, a ocupação ilegal das ( APPs) Áreas de Preservação Permanente ( exatamente como em Nova Friburgo ...) , em margens de cursos d’água, encostas íngremes, etc., através da expansão irregular dos loteamentos turísticos, é uma realidade óbvia e preocupante, a anunciar a repetição desses anunciados desastres.
Como fator agravante, constata-se o completo despreparo, a desinformação ou a indiferença das administrações municipais dessas zonas rurais, alheias a qualquer forma de planejamento urbanístico ou ambiental.
Além disso, perpetuando um estado crônico de desinformação, a grande mídia continua escamoteando informações vitais com respeito à reconhecida gravidade e iminência da Crise Climática , já em andamento. Sempre servil ao Sistema, ao Poder e, sobretudo, ao bom andamento dos “ negócios”, a Imprensa prefere noticiar e alardear o delírio dos megaprojetos ufanistas, como este do famigerado “trem-bala” ou Copas do Mundo e Olimpíadas ( a velha fórmula política do “Pão & Circo “ ), a abordar temas estratégicos para a nossa sobrevivência, ciosa que é de que “ Business must go on...”como de costume.
É chegado o momento da população, agora alertada e mais atenta pelo trauma sofrido, cobrar, enérgicamente, o melhor uso do dinheiro público. Os muitos bilhões de dólares a serem destinados a tais projetos desnecessários e cosméticos, se bem empregados, poderão representar não só um resgate da sua qualidade de vida, como a diferença entre a Vida e a Morte.
Núcleo de Estudos Sócio-Ambientais / Fundação Mantiqueira
(...) Um exemplo de como é possível, através de uma legislação enérgica, coibir este tipo de destruição.
Levando em conta que o desmatamento ocorre também em áreas menores, atingindo pequenos e médios municípios brasileiros (em especial no Estado de São Paulo), resolvi criar um Projeto de Lei que, além de reduzir a devastação de áreas verdes, pode trazer lucro para aqueles que as preservarem e para os que promoverem o reflorestamento.
O PL451, apresentado por mim na Assembleia Legislativa de São Paulo, pretende garantir maior repasse do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para aqueles municípios que possuem mais áreas de reflorestamento ou que tenham maior área verde.
Acredito que este Projeto de Lei permitirá uma distribuição mais justa do imposto em vários aspectos.
{...} Os suruís em breve serão um dos primeiros povos indígenas que serão pagos pelo mundo para preservar sua floresta. Eles estão sendo orientados por banqueiros de investimento, advogados e administradores. Mas são eles que tomarão suas próprias decisões, em um encontro de 1.300 índios. Almir Suruí acredita que seu povo precisa da modernidade para ajudá-los a manter seu modo de vida tradicional, que esta é a única forma de salvarem sua floresta, sua cultura e sua tribo. Mas por se tratar de uma experiência, o resultado é incerto –tanto para os suruís quanto para o restante do mundo.
A Bacia do Amazonas contém 40% das florestas tropicais do mundo. É a Amazônia que mostrará primeiro se a batalha contra o desmatamento e a mudança climática pode ser vencida. E também o que acontecerá em caso de derrota.
Apenas no ano passado, 130 mil quilômetros quadrados de floresta foram derrubados ou queimados, pelo menos 10 mil quilômetros quadrados disso no Brasil. Este pode ser o menor número em décadas, mas ainda é demais; 20% da floresta Amazônica já desapareceram. A mesma proporção foi danificada. Em uma escala puramente proporcional, a maior quantidade de floresta desapareceu no Estado de Rondônia.
Um e-mail do coração da floresta tropicalAs palavras do cacique convenceram quase todos os suruís, que começaram avidamente a cultivar e plantar mudas. Aos poucos a floresta retornou. Ignorando a chuva e o calor, eles plantaram mais e mais espécies: palmeiras açaí, ipês, castanheiras-do-pará, mogno. Mulheres, crianças e idosos, todos deram uma mão, cortando o mato que parece floresta, mas que não é nada mais que arbustos, palmeiras e samambaias. Eles continuam plantando até hoje.
Entre os suruís se encontra um homem com braços marcados por picadas de mosquitos, vindo da Suíça; Thomas Pizer, da organização Aquaverde. Pizer lembra de como recebeu um e-mail de Almir Suruí, há seis anos. A mensagem dizia: “Em seu site é dito que vocês estão envolvidos no reflorestamento da Amazônia. Se for verdade, por favor, nos ajude”. Documentos do Word e planilhas do Excel estavam anexados ao e-mail. “Eu recebi planilhas de Excel do coração da floresta tropical!” diz Pizer rindo. Ele fez uma transferência de dinheiro aos suruís, suficiente para 500 mudas. Eles plantaram 1.900. “Nenhum outro povo indígena em todo o Brasil fez tanto pela recuperação de suas florestas”, ele diz.
Gabriela Carelli
(...) Há dez anos, quando anunciou uma série de investimentos inéditos em projetos ambientais, a Coca-Cola não estava preocupada com o derretimento das geleiras do Ártico nem queria salvar os ursos-polares ameaçados de extinção. Diante de estudos que apontavam para a crescente escassez de água doce no planeta, a empresa se convenceu de que ignorar o problema poderia ser perigoso para o futuro de seu negócio.
(...) A destruição da biodiversidade nunca foi tão intensa. De acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas divulgado no mês passado, mais de 60% de todos os ecossistemas do planeta estão ameaçados. Desse total, 35% são mangues e 40% florestas. Hoje, a demanda por recursos naturais excede em 35% a capacidade da Terra. Se a escalada dessa demanda continuar no ritmo atual, em 2030 serão necessárias duas Terras para satisfazê-la. Entre 2000 e 2005, a devastação das florestas na América do Sul foi de 4,3 milhões de hectares, 3,5 milhões deles no Brasil.
Fui cumprir compromisso em Taubaté e na volta passei nesta cidade que, por incrível que pareça, é administrada pelo pv - partido verde.
Quando cheguei na avenida principal, um bulevard, todo aquele aparato me assustou. Não deu outra, a bandeirante energias do Brasil em conjunto com a prefeitura de Tremembé estavam abatendo seringueiras centenárias.
Saquei a camerazinha e comecei a documentar, sem nada dizer a ninguém.
Um homem, creio ser o chefe, parou o que estava fazendo e telefonou não sei para quem. Voltou meio nervosinho.
Quando fotografei o caminhão da prefeitura de Tremembé, seu motorista veio me questionar, alegando que eu não podia fotografar o veiículo, pois era oficial. Argumentei que sim e se estivesse fazendo algo ilegal que chamasse a polícia.
O clima esquentou, começaram a falar alto, a reunir todo mundo e quando vi que poderia ser agredido, disse-lhes que iria falçar com o prefeito, e saí de lá rapidinho antes que coisa pior pudesse me acontecer.
Resultado, fiquei de molho todos estes dias. Cheguei a pensar em desativar o ecoeantiogos, entretanto, atendendo aos inúmeros pedidos (só o seu Sueli) e levemente restabelecido do choque, aqui estou novamente.
Só que tem uma coisa. Desacelerarei um pouquinho.
Abraços.
Sérgio.