

{...} O volume de empréstimos de livros feitos na Biblioteca Solidária de São Francisco Xavier é um dado fora da curva em instituições similares e que, portanto, chama a atenção de forma positiva. Quem opina é Vera Lúcia Batalha Renda, professora do curso de Letras da Universidade de Taubaté.
Segundo a doutora em Estudos Comparados de Literatura em Língua Portuguesa pela USP, a média de 800 empréstimos mensais é um índice do bom trabalho de promoção de leitura feito na localidade.
"No Brasil, lê-se muito pouco e quando vemos um exemplo vindo de um distrito como o de São Francisco, com um hábito de leitura é tão alto, é animador", diz.
A especialista atribui os índices à existência de um bibliotecário especializado. De todas as bibliotecas da região, é a única que conta com um profissional com formação específica. "É perceptível a influência do bibliotecário. Ele influencia as pessoas a ler mais. Rosa cumpre bem a sua função, que é a de conversar com o leitor, perguntar o que achou de tal livro, e o principal, indicar novas obras para os frequentadores", diz Vera Batalha.
Além da atenção ao leitor, traduzida pelo contato e pelas sugestões de leitura, a Biblioteca Solidária de São Francisco Xavier tem outros projetos de incentivo à leitura, também pautados pela simplicidade e por essa relação de proximidade. Um dos de maior repercussão é o que promove encontros com os escritores da região do Vale do Paraíba e Serra da Mantiqueira. "O contato com o autor desconstrói aquela imagem de que quem escreve uma história é um iluminado. As pessoas percebem que o escritor é alguém que escreve também com muita transpiração, e não só com a inspiração", afirma a especialista.
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